segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Histórias sem fim

Meu pai gostava de contar histórias enquanto a gente jantava. Eram outros tempos,  não tínhamos televisão, a gente jantava junto, os meninos nem sempre, porque faziam ginásio à noite. Ele chegava, eu ia lá puxar a botina do pé dele e tirar os pedacinhos de cimento que grudavam em seus cabelos. Depois me sentava no degrau da porta da cozinha e o esperava sair do banho. A história começava assim que punha o prato na mesa e, entre uma garfada e outra, as complicações do enredo. No momento mais tenso, o xerife pronto para sacar sua arma, um pedaço de carne interrompia a narrativa, os olhos dele se divertiam com minha cara de impaciência e curiosidade. Eu esperava a hora ensaiada em que o bandido ia cair duro no chão e todas as vezes eu me assustava com o tapa que ele dava na mesa para simular o tiro e o baque seco.


Numa prateleirinha, no canto da cozinha, ficavam os livros de "farveste", como ele gostava de dizer, e eram muitos. Eu amava ver as capas coloridas, imaginar as histórias que eram contadas ali dentro. Numa das capas, o moço segurava as rédeas de um cavalo bravo que ameaçava derrubar a mocinha. O vestido dela era de um tom de rosa quase lilás, nos meus sonhos, me via vestida assim. Voava no balanço como se abaixo dos meus pés existisse uma pradaria imensa e um sobrado de madeira lá longe, onde morávamos todos nós.

Quando a televisão chegou em casa, eu já devia ter uns oito ou nove anos e a primeira imagem que vi, depois dos chuviscos habituais, foi a abertura da novela Mulheres de Areia. Aquilo era um assombro, a mulher correndo na praia, eu antes nunca tinha visto o mar! No começo, meu pai ficava lá na mesa da cozinha com seus livros e o rádio ligado, minha mãe, eu e algumas mulheres da vizinhança nos apertávamos na pequena sala e só conversávamos quando apareciam os reclames. Depois de um tempo, rendemo-nos todos a Ivani Ribeiro, Janete Clair e Dias Gomes. Depois da novela, havia a roda de discussão, todos tentando adivinhar o que aconteceria, jovens e velhos conjecturando sobre o destino de Ruth e Rachel, de Carlão, Salviano e Lucinha. Crescemos com a presença deles, como se fossem parentes, gente de casa. Hoje, se eu encontrar a Regina Duarte no aeroporto, por exemplo, certamente me sentarei com ela e perguntarei se ela se lembra de quando o Natal foi na casa de uma tia em Araraquara. Ela vai se lembrar, com certeza.

Mas houve uma época em que ficar sem energia elétrica tinha virado quase uma rotina, nesses dias, nessas noites, acendíamos as velas, nos sentávamos na sala olhando para a TV desligada e, na semi obscuridade, meu pai começava a contar suas velhas histórias, dos tempos em que morara em São Paulo, das casinhas da Vila Maria, da praça Silvio Romero, no Tatuapé, dos passeios no vale do Anhangabaú e no Mappin e do seu terno de linho branco e de como ele ficou manchado porque uma mangueira de óleo escapou de um velho caminhão no exato momento em que ambos se cruzaram na esquina...

sábado, 5 de dezembro de 2015

À última bolacha do pacote!

Não sei quem cunhou essa expressão, mas devia ser alguém que gostava muito de bolacha. Sabe aquelas redondas, recheadas com cremes que simulam - bem de longe - o gosto de morango, baunilha e chocolate? pois é, pensei nessas!  
Se é para matar a fome, confesso que essas coisinhas não me apetecem, toda vez que como isso me sinto enganada, fico com a sensação de que roubaram espaço de algo mais sustancioso, não necessariamente mais saudável, mas incontestavelmente mais saboroso. Morder a massa crocante é até legal, porque na sequência vem o creme molinho, porém,  a massaroca final não compensa o crime: insossidão!
Por isso tudo, para mim, a expressão teria de sofrer uns ajustes. Para debicar de alguém, eu teria de dizer algo do tipo: "Fulano está se achando o último torresmo do prato!" ou "Fulana está se achando a última cápsula de café da caixinha!". Tenho uma amiga, pessoa de fino trato, que falaria assim: "Fulana se considera o derradeiro profiterole da confeitaria!". 
Em tempos de alta moralidade é reconfortante observar a quantidade e a variedade de pacotes de bolacha à disposição nas prateleiras, cada qual com seu discurso. Por exemplo, há os que pertencem ao bolachismo tostinista e outros de disposição pretensamente contrária, os óreonistas, outros ainda com uma tendência anti-bolachismo, todavia, em linhas gerais, todos bolachas do mesmo pacote. Se tivermos tempo e um pouco de interesse, é possível perceber suas disposições pragmáticas e até mesmo suas perversões.
Não raro a mídia noticia casos de bolachistas com hábitos estranhos como o de desgrudar as duas partes só para saborear o recheio ou, então, de molhar rapidamente as bolachas no leite morno antes de devorá-las, tudo seguindo regras rígidas de um ritual secreto, quase uma missa profana!
Há sérios estudos destinados a discutir o hábito de reportar ao outro essa condição de ser a última e única opção. Há teses e teses, na sua maioria apocalípticas, que apontam a triste, bem triste, condição das UBPs. Alertam que elas vivem a ilusão de que têm algum poder e ignoram que só inspiram desejos nos oportunistas. Esses que, no momento de desespero, não dispondo sequer de um biscoito de polvilho murcho para matar a fome, não têm pudor de mastigar a última e em geral quebrada bolacha do pacote...mas isso já é assunto que merece tratamento mais competente, de preferência que não derive das ideias de um canário! 


quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Não sei mais como falar com as pessoas!

Acho que ano a ano venho perdendo a capacidade de manter um diálogo, uma conversa de dez minutos e já não tenho muito mais o que falar. Há momentos que até forço um silêncio constrangedor para que não haja a menor possibilidade de se retomar a conversação. Porque, convenhamos, há assuntos que já nascem mortos, há opiniões que não nos interessam, por mais pertinentes que sejam!
Eu, por exemplo, não quero mais falar sobre a crise hídrica, econômica, política, sobre Proust, Nietzsche ou Michelangelo, muito menos do novo filme do Tarantino, da estética pós moderna e dos macaquinhos, eu não quero falar de nada que valha a pena, porque eu simplesmente não quero mais falar!
Me internar num mosteiro carmelita, fazer voto de silêncio por uns dois anos, até desaprender alguns pontos de articulação é meu sonho de consumo. Passar meses sem ouvir a tagarelice humana, sem prestar atenção aos argumentos, às figuras de construção, à coesão e à coerência, a concordância! Brecar na mente todos os mapas, todos os caminhos que levam à interpretação. 

Se fosse possível, gostaria apenas de ouvir apenas o barulho das cerdas da vassoura de piaçava varrendo folhas no pátio, observar a coagulação lenta e branda do leite, plantar salsinha e cebolinha no canteiro fofo de terra estercada, deixar escoar os dias sem me preocupar com os clichês na composição do meu texto, olhar para uma página em branco e ver apenas isso: branco!
Mas as pessoas são insolentes, desrespeitosas, não nos olham nos olhos e começam a debulhar letras. Falam do preço do combustível, dos transgênicos e transgêneros, da manteiga e da margarina, do óleo de coco...não escapa nem o Francisco! 
Tenho a alma riscada com letras erráticas, letras que se agrupam aleatoriamente como aquelas bolinhas de mercúrio espalhadas pelo chão quando quebramos um termômetro, letras que em dias quentes procuram as paredes frias feitas de pedra dos monastérios, letras que podiam muito bem se desletralizarem.
Sei que é um disparate pregar o silêncio usando palavras, é mais absurdo ainda pensar que mesmo o silêncio é também uma palavra. E, quando enfim essas vozes de fora calam, as de dentro se amotinam e berram sem parar. Resta-me a ilusão de que os minutos passem rápido, bem rápido!
(t/c)

domingo, 22 de novembro de 2015

"eu sei como pisar no coração de uma mulher...já fui mulher eu sei..."

Para pisar no coração de uma mulher,
sapatilhas de arame,
o balé belo infame...
Já fui mulher eu sei,
já fui mulher eu sei! (Chico César)
Essa bela música acordou-me hoje pela manhã, acordes vindos de alguma janela vizinha, notas que penetraram a veneziana e caíram na fronha do meu travesseiro. Demorei aqueles milésimos de segundos para distinguir as palavras em meio ao sono e ao ruído que reinava além da minha masmorra, mas elas foram chegando e, quando dei por mim, estava na cozinha fazendo café...já fui mulher eu sei!
Assisti a uma bobagem qualquer na televisão, tirei o esmalte dos pés, lixei as unhas e vi as notícias. Uma amiga de longe manda oi, outra de perto bate à porta, um zumbido nos ouvidos, uma leve tontura resultante da tequila de dois dias antes. Eu já havia renovado o seguro? pagado a faxineira? levado a cria à escola? eu já tinha escovado os dentes? já fui mulher eu sei...já fui mulher eu sei!
No shopping atulhado, crianças esgoelando, mães de olhar vazio, pais conectados às telas das inúmeras tevês onde passava um jogo qualquer, um homem dando um safanão na sua esposa em frente a todos, sem nenhum constrangimento, ela pedindo calma, eu querendo um café...já fui mulher eu sei!
Lembrei-me de quando havia amado, dos momentos de completude e crença, da beleza dos movimentos desconexos e espasmódicos, do sorriso fácil vindo da barriga. Lembrei-me de que havia um nome em particular, aliás, nome, sobrenome e codinome - coisas tolas e doces de amantes - e de como esse nome foi encurtando...em um mês esgarçou-se o tecido fino da intimidade, perdeu-se o apelido, mais quinze dias o sobrenome, com medo de que eu lhe desse mais importância que a decência permitia, reduzi-o a uma só letra, urgência em desparticularizar. O desamor é isso: um coração pisoteado por coturnos, sapatilhas de arame e alpercatas de aço. E nem é necessário ser mulher para sentir isso, embora não haja criatura que saiba melhor o que é angustiar-se. Um homem pode ter seu coração atravessado por um salto agulha, macerado por tamancos de madeira, mas essa dor de ser tratada como menos, no contexto em que vivemos, é uma dor feminina, é uma dor só de quem sabe o que é ser mulher...eu sei?!
(t/c) 

domingo, 8 de novembro de 2015

velhos hábitos que me habitam

Decidi não mais escovar os dentes como de costume. Sou destra, o que quase me obriga a começar sempre pelo lado esquerdo. Cansei-me disso! Agora, em frente ao espelho, digo que vou começar pelo lado direito, o que me obriga a uma manobra meio desengonçada, meu cérebro de cobaia parece não entender que começamos a escovação pela direita. O experimento já dura uma semana e tem me incomodado muito. 

Por que decidi fazer isso? acho que ouvi em algum lugar que os destros sempre fazem dessa forma, então, num ataque de rebeldia, resolvi mudar! Já que não posso mudar um monte de outras coisas, mudo o que posso, como posso. Se vai fazer diferença? sei lá! é bem provável que não, aliás, é mais certo que não, mas, de qualquer forma, é engraçado ouvir o diálogo interno, as vozes num processo esquizo paranóide se digladeando, a mais normótica pedindo para eu parar com a experiência "inócua e ridícula" e a mais bicho grilo unespiana de bolsa de crochê e chinelo de couro atalhando: "Vamo tomá o poder! Abaixo o sistema de escovação ritmada, mais espaço para os molares da banda esquerda!"


Quase me mato de tanto rir. Acho que para mim é mesmo o fim do túnel...sem luz.

Nesses tempos de rebeldia típica da envelhescência, também resolvi alterar minha assinatura, foi uma mudança quase imperceptível, porque se mudasse muito teria de ir ao banco, ao cartório, ao RH, ao quinto círculo infernal e aí não dou conta. A alteração foi só para me convencer de que tenho esse poder, de que posso mudar o que eu quiser e quando quiser, é só uma elevadinha, uma cúspide numa onda antes redondinha. Dá até uma certa emoção assinar o livro ponto pela manhã e à noite, minutos antes eu me lembro da marca secreta e lá vou eu para a grande sala, passos atentos descendo as escadas (quase vejo aquele carrinho de bebê desgovernado dos Intocáveis à minha frente, mas não é, é só o menino levando as correspondências!), plano americano mostrando-me ao abrir a porta, câmera subjetiva encarando-me espelho, e o traço, minha letra, a indelével marca no papel. Uma curva mais bicuda na minha assinatura é o suficiente, cá dentro eu sinto que mudei algo.

Amanhã vou testar um novo método para lavar a louça, veremos o que rola!
(t/c)

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

ataque agudo de inveja do miocárdio

Tive uma súbita crise de inveja! Todos a minha volta estão apaixonados, insuportavelmente apaixonados! Até mesmo meus amigos amargos e sátiros contumazes desfilam pelos corredores com aquele riso bobo olhando as mensagens que chegam no celular. Tento despertá-los, à força chamo-os à razão, esfrego-lhes as coisas mesquinhas da vida, um crime, uma negociata! Olham-me num relance de consciência, algo que dura milésimos de segundos para logo em seguida cairem de novo naquele estado patético - estado esse, ressalte-se, do qual saí (saí ?) há pouco menos de um mês. 
A inveja, conforme Sebastián de
 Covarrubias, gravura século 16
egenda
Homens e mulheres das mais variadas idades, etnias, profissões, posição social e importância, todos, todos enredados. Alguns deles numa rede invisível, juras de amor depositadas no inconsciente coletivo do icloud. Juras de amor assépticas, que nunca sentiram o gosto da saliva do outro, juras de amor inodoras! Como é possível morrer-se de amor sem nunca ter cravado os dentes no outro, sem nunca ter se nauseado com seu hálito de vinho dormido? 
Invejas minhas tão densas que gosto mais de Iago que do mouro! Eu também bem que podia arrumar um amor internético, desses compostos de bites, e não de espermatozóides, mas...mas esses amores já me custaram horas acordada, horas longe da rua, do pingo de luz pendurado na ponta da folha de samambaia lá fora,bem lá fora de mim! Tudo desculpas minhas, bem sei! porque nem todos ficam só nos beijos de silício. Algumas dessas paixões evoluem do touch para o toque. E, para dilacerar ainda mais meu peito, há os que andam de mãos dadas a minha frente! 
Um acinte, um insulto gente apaixonada em plena luz do dia, gente trocando carícias com o sol a pino e no ponto de ônibus e ainda por cima com mais de cinquenta...onde é que esse mundo vai parar?!
Se eu pudesse comer essa minha inveja e excretar flores, haveria miosótis e camélias e rosas e cravos e jasmins e orquídeas e maria-sem-vergonha e hibiscos cobrindo toda área que vai dos lençóis maranhenses aos pampas sem deixar um centímetro de terra a mostra! Por favor, caros amantes, seres apaixonados, mantenham uma distância segura até isso tudo passar (pode ser que nunca passe!).
(t/c)

terça-feira, 13 de outubro de 2015

RUPTURA

Diário de bordo: quatorze de outubro de 2015.

Eis que, enfim, veio o divórcio! não foi abrupto, ele veio aos poucos, logo depois do sim uma partícula dele se instalou em mim, em nós.Quando penso no tempo passado, em algum ano especificamente, fico me perguntando: "O que eu fiz em 1998? o que houve comigo em 2005?" e nada, quase nada me vem à mente assim de chofre. Eu só me lembro de trabalhar, ler, amamentar e das noites passadas sem dormir. Depois me recordo das viagens, das irritações diárias e de estar sempre exausta. Eu era uma espécie de operária padrão, uma mulher de cabelos curtos, vestida sempre do mesmo jeito e com roteiros pré-definidos. Embora nas fotos eu me veja de vestido, alguns bem femininos e românticos, na minha memória estou sempre de macacão cinza e coturno.
Envelhecemos e um dia percebemos que não tínhamos mais tempo para ter tempo. Resolvemos desfazer os laços, já cheios de nós aquela altura! Cada um pegou uma ponta e foi puxando...a laçada aos poucos se desfazendo...ele me devolveu a aliança, eu tirei a minha, coloquei-as numa caixa e depois mandei fundi-las num único anel que uso diariamente. Gravei meu nome nele, uso-o no dedo do meio, o dedo de xingar, mas não foi de propósito, não foi uma ironia pensada, é porque ele ficou largo e só serve nesse dedo. Ainda hoje há lugares em que me chamam pelo sobrenome do ex-marido, é estranho e engraçado ao mesmo tempo. Demoro para saber que é a mim que estão chamando, mas automaticamente penso que ali ainda sou a mulher "de" alguém. Quando me perguntam como vai o meu marido, sempre respondo com um sorriso: "creio que vá bem!". É bacana ver a expressão de estranhamento no rosto das pessoas, a pergunta se formando em suas mentes... (t/c)

sábado, 10 de outubro de 2015

MORTE AOS CINQUENTA


Diário de bordo: onze de outubro de dois mil e quinze!
Bem, faltam poucos meses para eu chegar aos cinquenta anos. Ainda criança eu dizia que não chegaria a ficar "tão" velha, que morreria antes. Agora não tenho mais tanta certeza! Aliás, quanto mais me aproximo da data mais acho que a minha profecia está furada. Naquela época, pessoas de cinquenta anos me pareciam absurdamente desgastadas. Acho mesmo que eram, pois o que faziam da vida as tias velhas que já haviam casado os filhos, que já embalaram os primeiros e rosados netos, que tiveram de chorar precocemente a morte mofina do marido? A elas só sobravam a Congregação de Maria e os almoços aos domingo, quando as marias se misturavam a joanas e malvinas e iam para a cozinha picar tomate e cheiro-verde.
Uma dessas tias, mariana também, que já era "bem velha" na época, ainda está viva hoje, aos 96 anos e, estranhamente, agora ela até me parece menos velha!
Pois bem, acho que não vou morrer tão "jovem", afinal, isso é regalia de alguns astros de cinema, de cantoras pop, de cientistas e escritores de renome. Creio até que, se eu conseguir permanecer no ostracismo por mais um bom tempo, talvez a ceifadora não note a minha existência e vai me deixando ficar. Enquanto isso, vou indo, vou aprendendo, vou mudando o que dá, vou me acostumando com o que não dá. Nos dia bons, fico rindo de mim, encho-me de afagos, me consolo com coisas belas, fúteis, inúteis. Nos dias maus, neurose com faca entre dentes, vou me cortando, ferindo-me com precisão e vileza e me deixo afundar numa lagoa plácida de autocomiseração. Isso também não dura muito, porque logo tenho algo para fazer, meu escasso tempo para o ócio não me permite sofrer conscientemente por muito tempo. E a inconsciência, como todos sabem, tem um empuxo fabuloso...qualquer coisa fora nos desconecta do centro de gravidade...acho que já comecei a me perder...do que mesmo estávamos  falando?
(t/c)