terça-feira, 13 de outubro de 2015

RUPTURA

Diário de bordo: quatorze de outubro de 2015.

Eis que, enfim, veio o divórcio! não foi abrupto, ele veio aos poucos, logo depois do sim uma partícula dele se instalou em mim, em nós.Quando penso no tempo passado, em algum ano especificamente, fico me perguntando: "O que eu fiz em 1998? o que houve comigo em 2005?" e nada, quase nada me vem à mente assim de chofre. Eu só me lembro de trabalhar, ler, amamentar e das noites passadas sem dormir. Depois me recordo das viagens, das irritações diárias e de estar sempre exausta. Eu era uma espécie de operária padrão, uma mulher de cabelos curtos, vestida sempre do mesmo jeito e com roteiros pré-definidos. Embora nas fotos eu me veja de vestido, alguns bem femininos e românticos, na minha memória estou sempre de macacão cinza e coturno.
Envelhecemos e um dia percebemos que não tínhamos mais tempo para ter tempo. Resolvemos desfazer os laços, já cheios de nós aquela altura! Cada um pegou uma ponta e foi puxando...a laçada aos poucos se desfazendo...ele me devolveu a aliança, eu tirei a minha, coloquei-as numa caixa e depois mandei fundi-las num único anel que uso diariamente. Gravei meu nome nele, uso-o no dedo do meio, o dedo de xingar, mas não foi de propósito, não foi uma ironia pensada, é porque ele ficou largo e só serve nesse dedo. Ainda hoje há lugares em que me chamam pelo sobrenome do ex-marido, é estranho e engraçado ao mesmo tempo. Demoro para saber que é a mim que estão chamando, mas automaticamente penso que ali ainda sou a mulher "de" alguém. Quando me perguntam como vai o meu marido, sempre respondo com um sorriso: "creio que vá bem!". É bacana ver a expressão de estranhamento no rosto das pessoas, a pergunta se formando em suas mentes... (t/c)

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