domingo, 8 de novembro de 2015

velhos hábitos que me habitam

Decidi não mais escovar os dentes como de costume. Sou destra, o que quase me obriga a começar sempre pelo lado esquerdo. Cansei-me disso! Agora, em frente ao espelho, digo que vou começar pelo lado direito, o que me obriga a uma manobra meio desengonçada, meu cérebro de cobaia parece não entender que começamos a escovação pela direita. O experimento já dura uma semana e tem me incomodado muito. 

Por que decidi fazer isso? acho que ouvi em algum lugar que os destros sempre fazem dessa forma, então, num ataque de rebeldia, resolvi mudar! Já que não posso mudar um monte de outras coisas, mudo o que posso, como posso. Se vai fazer diferença? sei lá! é bem provável que não, aliás, é mais certo que não, mas, de qualquer forma, é engraçado ouvir o diálogo interno, as vozes num processo esquizo paranóide se digladeando, a mais normótica pedindo para eu parar com a experiência "inócua e ridícula" e a mais bicho grilo unespiana de bolsa de crochê e chinelo de couro atalhando: "Vamo tomá o poder! Abaixo o sistema de escovação ritmada, mais espaço para os molares da banda esquerda!"


Quase me mato de tanto rir. Acho que para mim é mesmo o fim do túnel...sem luz.

Nesses tempos de rebeldia típica da envelhescência, também resolvi alterar minha assinatura, foi uma mudança quase imperceptível, porque se mudasse muito teria de ir ao banco, ao cartório, ao RH, ao quinto círculo infernal e aí não dou conta. A alteração foi só para me convencer de que tenho esse poder, de que posso mudar o que eu quiser e quando quiser, é só uma elevadinha, uma cúspide numa onda antes redondinha. Dá até uma certa emoção assinar o livro ponto pela manhã e à noite, minutos antes eu me lembro da marca secreta e lá vou eu para a grande sala, passos atentos descendo as escadas (quase vejo aquele carrinho de bebê desgovernado dos Intocáveis à minha frente, mas não é, é só o menino levando as correspondências!), plano americano mostrando-me ao abrir a porta, câmera subjetiva encarando-me espelho, e o traço, minha letra, a indelével marca no papel. Uma curva mais bicuda na minha assinatura é o suficiente, cá dentro eu sinto que mudei algo.

Amanhã vou testar um novo método para lavar a louça, veremos o que rola!
(t/c)

3 comentários:

  1. Dizemque, que o poder pensamento só age sobre o nosso próprio corpo, eu digo ande, e ele anda. Fume, e ele fuma. É interessante botar em prática esse poder, porque assim pode-se se libertar do poder alheio!

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  2. Dizemque, que o poder pensamento só age sobre o nosso próprio corpo, eu digo ande, e ele anda. Fume, e ele fuma. É interessante botar em prática esse poder, porque assim pode-se se libertar do poder alheio!

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